Moradores de Maceió processam Brasken na Holanda

Atingidos pelo colapso das minas de sal-gema estão processando a petroquímica Braskem na Holanda. Audiência será em 17 de maio/Secom Maceió
Atingidos pelo colapso das minas de sal-gema estão processando a petroquímica Braskem na Holanda. Audiência será em 17 de maio/Secom Maceió
Danos atingem bairros inteiros e já forçaram mais de 55 mil pessoas a deixarem suas residências.
Fecha de publicación: 13/05/2022

Atingidos pelo colapso das minas de sal-gema em Maceió (AL) estão processando a petroquímica Braskem na Holanda após verem suas casas desmoronarem. Os danos atingem bairros inteiros e já forçaram mais de 55 mil pessoas a deixarem suas residências. A primeira audiência do caso está marcada para o dia 17 de maio em Roterdã, na Holanda, país onde a subsidiária europeia da empresa é sediada.

O escritório de advocacia internacional PGMBM representa os atingidos e busca indenizações justas pelos danos, que se intensificaram em 2018, após terremotos ligados às atividades de mineração de sal-gema, insumo utilizado na indústria petroquímica.

Para os clientes, levar o caso à Holanda é o caminho para obter justiça após a Braskem, maior petroquímica brasileira, não oferecer compensação adequada pelos danos causados. Parte dos atingidos estará em Roterdã para a audiência do próximo dia 17, que discutirá a jurisdição para determinar se o processo poderá seguir na justiça holandesa.


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Desastre geológico em larga escala

A situação enfrentada pelos moradores de Maceió é considerada pelo Observatório da Mineração como “o maior desastre em área urbana em andamento” atualmente no mundo. Para Pedro Martins, advogado sócio do PGMBM, este é “mais um caso de grandes empresas que não têm nenhuma consideração pelas pessoas que vivem nos locais onde as atividades são desenvolvidas ou pelo meio ambiente, que está sendo prejudicado”, afirma.

O processo na Holanda é necessário, de acordo com advogados do PGMBM, porque a Braskem, embora tenha oferecido alguma compensação financeira e removido famílias da zona de risco “vermelha”, não assume a responsabilidade. As reparações são consideradas inadequadas, com indenizações por danos morais de valor fixo por núcleo familiar, e não para cada indivíduo afetado. Em maio de 2019, relatório produzido pelo Serviço Geológico e Mineralógico do Brasil responsabilizou a mineração feita pela petroquímica (controlada pelo grupo baiano Odebrecht, agora “Novonor”) pelos danos à integridade estrutural de propriedades na capital alagoana.

Maria Rosângela Ferreira da Silva, 48 anos, vê o processo como a “única esperança” de sua família. Nascida e crescida no bairro do Pinheiro, sempre morou em uma comunidade que considerava familiar. Após o desastre, ela e sua família ficaram desolados, perdendo seu senso de identidade.


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Maria, então, teve que presenciar sua mãe desenvolver doenças psicossomáticas e Alzheimer, até contrair o Covid 19 e falecer. “Perdi minha mãe por causa desse desastre. Aqui no Brasil não vejo nenhuma expectativa de justiça. O poder público, que deveria estar nos apoiando, não está do nosso lado.”

Segundo ela, a Braskem determina as regras do jogo. “Se não aceitarmos, não temos escolha. Nossos imóveis perderam valor, e mesmo que você apresente uma avaliação do imóvel, eles não se importam, fazem tudo como querem”, ressalta Maria, que complementa: “Vamos à justiça holandesa porque, depois de Deus, esta é a nossa única esperança. Se não houver justiça lá, no Brasil estamos literalmente afundados, estamos devastados”.

Renata Sofia Melo dos Santos, 37, assistirá à audiência de Maceió. “O que aconteceu aqui não é justo porque a Braskem sabia que poderia prejudicar alguém e não tomou as medidas necessárias para evitar, nada foi feito. Para mim, o que aconteceu foi um crime. Me sinto impotente e nada mais parece fazer sentido. Nunca imaginei ter que deixar o bairro onde nasci e cresci.”

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