Empatia e habilidades sociais, duas competências essenciais para ter êxito

"As pessoas vão esquecer o que você disse, elas também vão esquecer o que você fez, mas nunca vão esquecer como você as fez sentir": Maya Angelou / Pixabay
"As pessoas vão esquecer o que você disse, elas também vão esquecer o que você fez, mas nunca vão esquecer como você as fez sentir": Maya Angelou / Pixabay
Em estudos de personalidade realizados com advogados, a baixa sociabilidade costuma ser encontrada como o traço predominante que está ligada à competência empática limitada.
Fecha de publicación: 01/02/2021

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Depois de ter visto as competências intrapessoais, é hora de mergulhar nas habilidades interpessoais da inteligência emocional: empatia e habilidades sociais.

Essas duas competências são as mais fáceis de encontrar nos programas de treinamento em escritórios de advocacia, tanto quando realizados internamente, tanto quando indicados como reforço individual nas avaliações de desempenho. No entanto, se esta formação não for complementada com o trabalho introspectivo individual, os resultados são limitados.

O que é empatia? Empatia é um construto mais complexo do que a resposta quase automática que meus alunos me dão quando lhes pergunto sobre o termo: “colocar-se no lugar de outra pessoa”, costumam dizer. Poderíamos dizer que a empatia se dá em duas partes: a primeira corresponderia à resposta dos meus alunos e seria a capacidade de compreender o outro e para isso nos colocamos no lugar deles com suas circunstâncias e experiências pessoais e assim nos conectamos com o que eles podem estar pensando, sentindo e fazendo (ou não fazendo). Fazemos isso tanto a nível cognitivo como emocional e será mais completo se perguntarmos ao outro e configurarmos a sua realidade.

E depois viria outra fase, tão importante quanto a primeira, que envolve deixar o outro e se reconectar consigo mesmo com as informações obtidas. É tão importante tomar distância do outro que alguém que não o faz, e está carregado do estado emocional do outro, poderia nos dizer algo como "sou muito empático" ... dando a entender que ele sente isso como um fardo. Por isso é muito importante diferenciar, o que é nosso do outro, a nossa realidade da outra.


Leia mais sobre o assunto: Inteligência emocional para advogados: aprofundando a expressão e a autorregulação


Para que serve a empatia em um advogado? As aplicações são tantas quanto os contactos pessoais que o advogado tem: com clientes, com colegas, com sócios, com estudantes, com juízes ... Imaginemos um advogado numa primeira reunião com um cliente. O poder e a vontade de se conectar com a realidade, os motivos, as esperanças ou os medos do cliente que procura um advogado permitirá ao profissional ter acesso a muito mais informações do que teria se não tivesse empatia.

Para isso, você pode escutar, fazer perguntas abertas, confirmar informações, solicitar dados, contrastar dúvidas e tudo o que for necessário para poder ter uma ideia dos riscos que o cliente prevê e que está disposto a assumir, assim como os benefícios que ele busca e a prioridade que você dá a cada um. Tudo isso, uma vez que o advogado volte a si, vai combinar com sua experiência para traçar a estratégia ou estratégias mais adequadas para aquele cliente.

E se é tão benéfico, por que a empatia não é mais praticada? Em estudos de personalidade realizados com advogados, com ferramentas como o Caliper Profile, costuma ser encontrada uma baixa sociabilidade como traço predominante, algo que está ligado a competência empática limitada. A explicação que geralmente se dá é que essa baixa sociabilidade funciona como uma barreira entre o profissional e os demais que lhes permitiria propor alternativas adequadas de longo prazo, mesmo que sejam dolorosas ou difíceis para o cliente no curto prazo.

Por exemplo, proponha o encerramento ordenado de sua atividade em um processo de falência em vez de dar um “ferrolho” que no curto prazo parece mais indolor, mas no longo prazo impedirá ou dificultará a retomada da sua atividade. Porém, defendo que se a empatia fosse praticada em suas duas fases, essa barreira ou escudo não seriam necessários.

Existem outras barreiras à empatia na industria jurídica. Destaco o elevado sentido de urgência que domina a advocacia e que nos leva, apressadamente, a procurar soluções eficazes, embora talvez não individualizadas, para interromper o discurso alheio e o nosso para agirmos ... E além disso, esta forma de atuar e nos relacionarmos também é algo visto em muitos dos sócios ao lidar com sua equipe.

E qual seria o próximo passo no desenvolvimento de habilidades de inteligência emocional? É algo constituído por competências sociais ou gestão eficaz das relações sociais. É a dimensão mais visível da empatia, uma vez que seu domínio nos permite agir e interagir com os outros de forma satisfatória. Os planos de treinamento para essas habilidades são tão amplos e profundos que incluem comunicação verbal e não verbal, comunicação assertiva, resolução de conflitos, negociação ... Habilidades sociais permitem que nos expressemos, nos relacionemos e basear-se na empatia implica respeito e consideração por si mesmo e pelos outros. Isso gera situações onde todos ganham (relação ganha ganha).

Para resumir o espírito dessas duas competências, me parecem muito apropriadas  algumas palavras de Maya Angelou: “as pessoas vão esquecer o que você disse, elas também vão esquecer o que você fez, mas nunca vão esquecer como você as fez sentir”.

* Marisa Méndez é sócia do Csas|Transforming law firms. www.csas.cl

Email: mmendez@marisamendez.com


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