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No setor privado e no mercado financeiro, o apoio à proposta é líquido e certo/Najara Araujo/Câmara dos Deputados
No setor privado e no mercado financeiro, o apoio à proposta é líquido e certo/Najara Araujo/Câmara dos Deputados

Reforma administrativa volta a ser discutida no Congresso Nacional

Proposta a ser apresentada pelo governo deve atingir somente os futuros servidores.
por André Pereira César*
publicado em02/09/2020

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Nem mesmo a queda histórica do PIB, com retração de 9,7% no segundo trimestre em relação ao primeiro, impediu os mercados de encerrarem a terça-feira (1) em estado de euforia. O motivo é claro - uma nova promessa de reforma por parte do governo. Agora, volta ao radar a reforma administrativa. 

O anúncio de que a proposta será encaminhada ao Congresso Nacional nesta quinta-feira(3) foi feito pelo próprio presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Esse fato tem seu simbolismo, pois representa um pequeno alívio para o desgastado ministro da Economia, Paulo Guedes, o maior defensor das mudanças. Há muito a se avançar na matéria, porém. 

Não são ainda conhecidos os detalhes do projeto. A única pista foi dada pelo próprio Bolsonaro, que afirmou que a proposta atingirá somente os futuros servidores. Nem isso é uma certeza absoluta. Até mesmo o envio nesta quinta-feira pode não ocorrer. Não seria a primeira vez no atual governo, inclusive com a própria reforma administrativa. 

No setor privado e no mercado financeiro, o apoio à proposta é líquido e certo. Tão logo feito o anúncio, grandes empresários teceram contundentes elogios ao governo. De maneira implícita, ou nem tanto, ficou no ar a sensação de que o alvo da reforma está definido - o funcionalismo, em sua integralidade. A volta dos marajás, versão 2020. 

A princípio, as categorias funcionais tentarão estabelecer barreiras contra as mudanças, o que é totalmente legítimo. A questão será o apoio dos parlamentares ao projeto e, evidentemente, da opinião pública que deverá, mais uma vez, aceitar o discurso raso e que já se inicia, em especial na grande imprensa, da necessidade de se acabar com privilégios. 

Será fundamental acompanhar os movimentos das lideranças partidárias, em especial o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM/RJ), simpatizante da tese. Isso certamente será um fator de aceleração da proposta. 

Por fim, a grande incógnita diz respeito ao próprio presidente da República. Bolsonaro não morre de amores por políticas liberais, como bem atesta seu histórico de deputado. Manterá a postura firme em defesa do projeto recém-anunciado ou será ambíguo, como em outras questões da agenda econômica? A resposta começará a ser conhecida nesta quinta-feira. 

*André Pereira César é cientista político.

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