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"Deseamos que nuestros socios sean felices", Luciana Tornovsky
"Deseamos que nuestros socios sean felices", Luciana Tornovsky

"Desejamos que nossos sócios sejam felizes", Luciana Tornovsky

por Lara Valencia
publicado em07/09/2017
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Entrevistamos Luciana Tornovsky, sócia de Demarest Advogados, em nossa série de entrevistas Rompendo moldes. Como já indicamos, nesta série conversaremos com as advogadas mais influentes da região. Em cada encontro nos falarão de suas carreiras, especialidades, de sua evolução pessoal e trabalhista, ademais dos desafios que ainda encara a profissão.

Ademais de sócia da firma e especializada em Direito Corporativo, Tornovsky neste ano se uniu ao Comitê Executivo da Harvard Law School Association, está a cargo do Grupo de Responsabilidade Social, forma parte do programa pro bono e é a pessoa responsável de Demulheres, o último programa de diversidade em Demarest. Afirma que lhe “encanta, porque isto é o que me dá mais orgulho”.

— Qual é sua carta de apresentação como advogada?

— Comecei a interessar-me desde muito cedo - aos 16 anos - fazendo alguns cursos e tinha tão somente 18 quando comecei a trabalhar como estagiária.

Minha mãe faleceu durante meu primeiro ano na Faculdade de Direito. Meu pai, mi irmã e eu estávamos muito afetados, contudo só depois de alguns dias decidi que queria ir-me e trabalhar. Não queria ficar em casa. Queria que minha mãe estivesse muito orgulhosa de mim. Comecei a trabalhar exatamente 20 dias depois de que mi mãe faltasse. Todo o mundo estava muito surpreso, não sabia o que acontecia comigo mas acho que tinha algo muito forte dentro de mim que me empurrou a iniciar aquele processo.

Trabalhei então como estagiária legal no primeiro ano de faculdade, mas ao começo do segundo ano decidi que talvez queria ser juíza. Comecei a trabalhar no Tribunal de Justiça. Fiz um exame muito difícil, concorrendo com milhares de advogados, e fiquei no cargo número 5. Ainda assim, percebi que não queria fazer carreira pública, queria ser advogada.

Trás minha formatura comecei a enviar solicitações a Estados Unidos e Londres. Decidi-me por Harvard para cursar meu mestrado, ademais do ITP (International Tax Program). Tudo isto foi um grande desafio, mas também uma das melhores coisas que fiz em minha carreira. Depois de formar-me em Harvard, me mudei para Nova Iorque para trabalhar em Gibson Dunn & Crutcher LLP. Trabalhei ali durante dois anos, primeiro como associada. No segundo ano me convidaram para ficar como associada permanente, mas chegou o 11-S e tudo mudou. Percebi que queria voltar ao meu país e exercer o Direito no Brasil. Voltei em 2002, tive meus filhos e comecei a trabalhar para Demarest em 2006, do qual estou muito orgulhosa.

— Quando diz que o 11-S mudou tudo, que significou em seu caso concreto?

— Vivi tudo muito de perto e isso me levou a tomar uma decisão muito pessoal. Profissionalmente era muito feliz, mas queria estar perto de minha família. Sempre soube que voltaria ao Brasil em algum momento, nunca pensei em ficar para sempre nos Estados Unidos.

— Ao olhar para atrás e avaliar sua carreira, que experiências e pessoas têm tido maior impacto a nível pessoal e trabalhista?

—Minha mãe. Ela sempre dizia à minha irmã e a mim o importante que é forjar-se uma carreira de sucesso. Crescemos escutando isso e hoje em dia minha irmã é Diretora Executiva duma grande empresa nos Estados Unidos. Acho que meus pais fizeram um grande trabalho, nos ensinaram muitas coisas. Ensinaram-nos que podemos cambiar o mundo, por isso nós também tentamos ser muito boas mães.

Toda minha família e meu esposo, sem dúvida, têm sido chaves. Ele sempre me animou a trabalhar e a lutar. Quando me aceitaram em Harvard tínhamos locado um apartamento em Nova Iorque, e não falei para ninguém. Pensava que éramos demasiado felizes para irmos dali, mas ele insistiu e me perguntou se eu estava doida e, falou, claro que irás a Harvard".

— De não ter sido advogada, que outra profissão acha que teria desempenhado com sucesso?

—Trabalho Social, definitivamente teria trabalhado numa ONG ajudando crianças. Amo as crianças. Teria gostado de trabalhar em projetos infantis. De fato, penso fazê-lo quando me aposente.

— Já que lhe interessa o trabalho social, pode falar-nos sobre o Programa de Responsabilidade Social que dirige em Demarest?

—Temos uma grande equipe e trabalhamos muito com as ONGs brasileiras. Neste momento vamos fazer pública uma associação com a Prefeitura de São Paulo. Temos adotado uma escola pública perto de Demarest para ajudar. As escolas públicas aqui não são como na Europa, são muito piores. Não só em termos de educação, senão também em termos de infraestrutura. Queremos que a educação seja algo fundamental em nossa empresa. Estávamos fazendo muitas coisas mas decidimos que necessitamos centrar-nos em algo para impulsar um câmbio.

— Quê é o mais satisfatório e o mais frustrante de exercer o Direito Corporativo no Brasil?

— Estou muito orgulhosa de minha equipe. É satisfatório para mim que tenhamos grandes legisladores, pessoas honestas e indivíduos que querem cambiar a cultura da corrupção no Brasil. Exercer o Direito Corporativo no Brasil hoje em dia é emocionante. Grandes transações estão sendo realizadas e tudo está cambiando com a operação Lava-Jato.

Frustrante é a burocracia governamental a que nos enfrentamos para tudo porque é muito nociva para o investimento e para a reputação do país.

— A jurisdição brasileira tem sido o centro deu atenção nos últimos anos devido às medidas adotadas contra a corrupção. Dando por fato que isto tem sido muito positivo para o empoderamento do sistema judiciário brasileiro, quê impacto tem tido nas empresas brasileiras em contraposição com as estrangeiras? Como tem influído a Lei Anticorrupção sobre a competitividade interna?

—Acho que tem sido muito bom para o Brasil porque a imagem do país nesse sentido tem cambiado muito desde o 2013 e os sócios apreciam a legislação vigente. As empresas agora têm políticas internas e dão capacitação neste sentido. As normas da FCPA e da Bribery Act 2010 se aplicavam a empresas estadunidenses e europeias, mas não ao 100 por cento sobre as brasileiras. Outros países latino-americanos devem seguir o exemplo. Ainda há demasiados países que não estão neste caminho e isso não é bom.

— Sua lista de reconhecimentos é impressionante. Algumas publicações têm destacado sua compreensão de "as relações comerciais e das necessidades de um negócio". Em sua opinião, quais são os fatores-chaves para que os advogados tenham sucesso ao fazer negócios?

— Penso que os advogados corporativos necessitam ser deal makers e não deal breakers. Temos que trabalhar para que o acordo aconteça. É muito fácil falar dos problemas, o difícil é encontrar as soluções para ajudar os clientes. Ademais, quando um cliente quer fazer um trato, o advogado tem que ser muito útil e criativo para pensar em soluções alternativas. Sobre tudo porque se o cliente tiver decidido comprar uma empresa, vai fazê-lo de todos modos. Necessitamos encontrar maneiras de minimizar riscos. Isto é o que o cliente busca. Naturalmente, há transações muito difíceis de realizar, nas que toca dizer ao cliente "o senhor está doido". Mas podemos trabalhar por um bom gerenciamento.

— Demarest Advogados tem posto em marcha Demulheres, um programa de diversidade para permitir que mais advogadas sejam promovidas ao nível de sócias. Tem se dito que Demulheres “ajudará a reter o talento feminino através de iniciativas de coaching e mentoring". Pode falar-nos destas atividades mais em profundidade? ¿Convidarão advogados a estes eventos para criar mais consciência?

Mulheres em português significa mulheres. Temos feito um jogo de palavras adicionando o prefixo De, de Demarest. Tem sido criado um logotipo alinhado com as cores que se identificam com o empoderamento feminino. Ao lançamento do programa vieram grandes mulheres: a jornalista Inês de Castro, Adriana Carvalho, das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento da Mulher, Margareth Gondenberg de Movimento Mulher 360, Paula Fabiana do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) do Brasil e Heloísa Rios do Grupo Mulher Brasileira.

A ideia do primeiro evento foi que queríamos convidar só mulheres - não tínhamos muito espaço no auditório - mas deixamos muito claro que o programa envolveria a todos. É muito importante trazer homens, de fato teremos outro evento para debater. Eles virão e escutarão para depois participar. É importante que nos escutem e entendam que têm que ser parte disto. Reconhecem a importância de ter mais sócias. Sabemos que há mais mulheres nas escolas de direito. Em consequência, há muitas estagiárias legais, associadas, etc., mas na medida que suas carreiras começam a crescer, se afastam pela falta de flexibilidade.

Em Demarest temos criado uma sala de lactância e se sentem muito cômodas. Ao princípio pensamos que pouco seria usada, contudo tem sido todo um sucesso. Também temos uma política de trabalho a tempo parcial disponível para os associados mais sêniores que lhes ajuda a conciliar. Finalmente queremos fazer sessões de mentoring especificamente para mulheres.

— Em termos de diversidade, quê passos tem dado Demarest Advogados ou dará sobre as questões de comunidades LGBTI?

— Nossa ideia era lançar vários programas de diversidade. O terceiro foi Demulheres, o qual pretendemos estender a outras minorias, incluindo LGBTI. Temos muitos advogados que são abertamente homossexuais, mas suspeitamos que há muitos outros que se sentem prejulgados e com receio a falar abertamente de como são. Queremos ter um lugar de trabalho onde as pessoas não sintam vergonha de mostrar-se tal como são. Desejamos que nossos sócios sejam felizes, que não tenham que esconder-se de ninguém. Que possam convidar seus namorados e namoradas a nossas festas, incluir os casais no seguro de saúde da empresa, independentemente de que seja uma mulher ou um homem. Eles têm que saber que a firma lhes apoia e que não vamos tolerar nem brincadeiras nem discriminações. Estou muito em contato com Mattos Filho e queremos trabalhar juntos nisto. Temos que unir esforços não só dentro, senão também fora de nossas empresas.

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