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Maternidade, uma questão relevante para as mulheres advogadas

Mulheres contam como conciliam o tempo entre filhos e a vida profissional
por Luciano Teixeira
publicado em08/03/2020
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Brasil

A maternidade é uma das questões mais relevantes para as profissionais do Direito e é uma discussão importante não só para as advogadas que querem conciliar a vida profissional e pessoal, mas para todo mundo legal.

Para que isso aconteça, a gestão de tempo é um dos fatores mais importantes. Mulheres que já passaram por esta experiência garantem que o desafio ajuda a amadurecer a profissional, o que melhora e muito o desempenho. 

A equipe da LexLatin ouviu duas mães e advogadas do escritório Machado Meyer, em São Paulo. São elas: Ana Karina de Souza, sócia da área de Energia; e Cristiane Romano, sócia da área Tributária . 

Como é para vocês discutir inclusão das mulheres numa data comemorativa como o Dia Internacional da Mulher?

Cristiane Romano: Meu desejo é que o dia da mulher não precisasse existir, mas ele é interessante para chamar a atenção para a discussão de vários pontos.  Metade dos profissionais do setor são mulheres, mas nos órgãos de poder da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), nas presidências e nas diretorias, não temos metade do contingente. Aliás, no Conselho Federal somos poucas ainda, nunca houve uma mulher presidente de conselho federal, existem mulheres presidentes de seccionais, mas também são poucas. Isso também se vê nas mesas de debate, seminários, sempre mulheres em minoria. E há profissionais capazes. Como se diz lá na OAB como mantra, pagamos anuidade, se somos responsáveis por metade da conta, queremos ocupar metade da mesa.

Cristiane Romano

Como vocês veem o posicionamento da mulher nas firmas e a questão da maternidade?

Ana Karina de Souza: Existe um programa, que foi lançado há mais de dez anos no Machado Meyer, envolvendo retenção de talentos femininos. O que acontecia e acontece ainda hoje é que algumas mulheres que se dedicam à maternidade não conseguem encaixar uma carreira, um trabalho que ela esteja disponível 12 meses por ano. Nós conseguimos aqui formatar modelos específicos de flexibilidade, de licença, que pudessem mostrar a dificuldade que essas profissionais tinham em alcançar posições de liderança no escritório.

Esse movimento de entender as particularidades e necessidades dos profissionais é algo que veio para ficar?

Eu diria que, pelo menos no mundo da advocacia empresarial, temos esse movimento muito bacana. Eu acho que há dez anos, quando se falava em diversidade e de gênero, eram poucas as empresas que tinham essa política. Hoje em dia quem não tem é a exceção, é olhado de uma maneira mais enviesada.

Temos o caso de clientes que, antes de engajarem o escritório em determinado caso, perguntam: olha, qual a política que você tem de diversidade? Qual é a política que vocês têm de gênero? E muitos deles fazem questão de que o time que trabalhe com eles tenham mulheres, negros, que não seja aquela coisa de 100% homens brancos. Acho que tem mudado muito o mundo corporativo. E a advocacia empresarial está acompanhando esse movimento.

Cada vez mais a gente vê mais mulheres em posições de liderança. É claro que existe muito caminho ainda pra que tenhamos mais mulheres na liderança. A mensagem que fica é que é um caminho sem volta. Hoje em dia já é uma realidade e ninguém mais pode dar as costas para uma política de diversidade na sua empresa.

Qual a composição societária do Machado Meyer em relação a gênero?

Cristiane Romano: Nos escritório, pelos dados de 2019, temos 40% de mulheres sócias. E isso não aconteceu assim por acaso do dia para a noite e nem decorre de um sistema de cotas. O que aconteceu foi que tem um programa que tem oito anos e fizemos diversas iniciativas. Umas delas é a mentoria: vimos que isso deu resultado, saímos de 20% do total de sócias para 40%. Mas nós mulheres e as sócias mais antigas estamos trazendo os homens para a mesa, para a compensação do tema. E eu vejo que aqui no Brasil não deixamos a desejar para o resto do mundo em termos de participação de mulheres. Ainda não é o desejável, mas estamos caminhando e temos um grande caminho.

Como é o desafio da maternidade nos escritórios de advocacia? Qual é o lugar da maternidade na relação de trabalho, vocês ainda são definidas por esta questão?

Ana Karina de Souza: Definir a mulher pela maternidade apenas é resumir de uma maneira equivocada. Certamente a maternidade faz muitas profissionais terem que sair do dia a dia do trabalho para se dedicar a um bebê, caso elas precisem ser mães.

Ana karina de Souza

Muitas profissionais quando entram aqui no escritório perguntam qual a política que existe para mulheres e maternidade. Elas sabem que em algum momento da vida essa questão vai estar presente e querem poder se dedicar a isso sem que atrapalhe sua carreira. Hoje em dia, as grandes instituições já conseguem conciliar essa etapa da fase de muitos profissionais mulheres e homens também.

Agora é sempre um desafio pessoal para a profissional que sai. Eu saí, a Cristiane também. Você passa a ter que gerenciar um outro tipo de demanda que dá tanto trabalho quanto o próprio dia a dia nos escritórios.

Cristiane Romano: Com relação a essa questão da maternidade, o escritório faz  mentoria para a mulher que está nesse momento da carreira. Muitas vezes a profissional está subindo e coincide com a hora dela pensar em ser mãe. A mentoria ajuda muito nessa hora, a maioria das sócias são todas mães que estão lá trabalhando e cada uma deu o seu jeito.

Temos uma sala de amamentação, uma política junto com a nossa empresa de planos de saúde e de preparação para a maternidade. E há o horário flexível durante o primeiro ano da maternidade, que é muito importante para a mãe se adaptar. E tem horário flexível também para os pais, que eu acho outro ponto fundamental.

É importante a cultura de que o pai também cuida do filho, então dentro do escritório os pais também têm essa possibilidade. Foi uma conquista nossa muito emblemática, não só para o escritório, mas como contribuição para a sociedade.

Se todas as empresas tivessem isso, os homens se sentiriam mais encorajados e capacitados para cuidar dos seus filhos e dividir com a mulher essa questão da criação. Na  amamentação não tem como, mas todo o resto eles podem ajudar.

A mulher executiva tem postergado a maternidade?

Cristiane Romano: Se você for comparar 30, 40 anos atrás, as mulheres tinham filhos mais cedo e o papel delas era mais relacionado à maternidade, muitas não trabalhavam, o que hoje não acontece. E é algo natural a hora em que a mulher vai apostando mais na carreira.

Um ano depois de ter a criança a mulher passa por uma adaptação muito grande, embora aqui no Brasil a gente tenha ajuda, porque em outros lugares do mundo não tem. Temos babás por aqui, inclusive pessoas de menor poder aquisitivo têm a vizinha, alguém da família, coisa que nos outros lugares do mundo é mais difícil.

Então aqui e em outros países latinos temos essa ajuda. Mas, mesmo assim, a gente posterga. Não vejo mulheres de menos de 30 anos tendo filhos como uma coisa normal. É na faixa dos 30, 35 anos.

Muda muito quando a profissional volta a trabalhar depois de ter um filho?

Ana Karina de Souza: Uma profissional que tenha um filho, que sai por causa da maternidade e depois volta para o escritório, se fortalece. Eu sempre falo para as colegas: só vai dar certo voltar a trabalhar depois de uma licença maternidade se você quiser que dê certo. 

Essas profissionais voltam com muito mais garra, com mais energia e eficiência e têm clara percepção do que elas querem entregar no trabalho e escritório, porque ela tem que voltar para casa porque têm filho. Então elas voltam mais empoderadas. Obviamente tem o desafio, é mais trabalho em casa e em família.

A profissional que é mãe ela tem o diferencial, é mais flexível, mais objetiva, justamente porque sabe que a hora em que está no trabalho tem que focar no que tem de entregar.

E quando der 19... 20 horas, ela tem que ir para casa. Então ela tende a ser mais objetiva e produtiva. Acho que a maternidade pode trazer coisas boas para o dia a dia da profissional. Óbvio que tem profissionais que, quando voltam, dizem que não querem e que não vão conseguir conciliar. Tem essa profissional? Claro! Nem todas têm que adotar a mesma solução de vida para a licença maternidade.

Mas aquela profissional que decide voltar, eu vejo uma diferença muito grande de amadurecimento e comprometimento.

Una-se à discussão!

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