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Crescimento, apesar de pequeno, é recorde para as eleições municipais/Pixabay
Crescimento, apesar de pequeno, é recorde para as eleições municipais/Pixabay

As candidaturas femininas nas eleições de 2020

Representatividade cresce, mas ainda não é proporcional ao número de homens e mulheres na sociedade brasileira
por Luciano Teixeira
publicado em09/11/2020
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O Brasil continua longe de ter uma quantidade de candidatas mulheres que ocupe o mesmo espaço na disputa daquele que as brasileiras representam na população. Apesar de as mulheres serem 52,5% do eleitorado, elas representam apenas 33,3% do total de candidaturas neste ano, para prefeita, vice-prefeita ou vereadora.

São 183 mil candidaturas de mulheres num universo de 522 mil, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Mesmo abaixo de uma real representação da população brasileira, esses dados são um recorde para as eleições municipais: em 2016, as candidaturas femininas foram 31,9% do total e, em 2012, 31,5%.

"Mesmo com o crescimento das candidaturas, em razão da cota de 30%, o resultado efetivo de mulheres eleitas ainda é muito aquém da porcentagem de população feminina no país. As eleições 2020 colocarão à prova, pela primeira vez em âmbito municipal, a regra definida em 2018 de emprego de 30% dos fundos financeiros públicos nas candidaturas de mulheres. Poderemos saber se, em nível local, o aporte de recursos poderá colaborar para a tão desejada busca de igualdade de gênero", analisam Alexandre Fidalgo e Ana Paula Fuliaro, do Fidalgo Advogados.

“[É] Um baixo crescimento, ainda muito tímido, em que pese o esforço realizado no último ano por vários partidos. Nós entendemos que, além do efeito da pandemia, também tem toda uma questão de uma política contínua de formação, para que as mulheres possam despertar esse interesse, ter segurança em relação ao envolvimento na política, a questão do financiamento não é automático, ainda está sob controle dos líderes partidários”, afirma a coordenadora da Bancada Feminina na Câmara, deputada Professora Dorinha Seabra Rezende (DEM-TO).

“Este ano houve a demora dos partidos em repassar a cota do Fundo Eleitoral para as mulheres nas primeiras 2 semanas de campanha, prejudicando a largada na corrida eleitoral. Vamos aguardar o resultado, mas seguindo as estatísticas de anos anteriores o corte pode ser de mais de 50%, ou seja, menos da metade das candidaturas femininas chegarem a ser de fato eleitas”, diz Carmela Zigoni, assessora política do Inesc, o Instituto de Estudos Socioeconômicos.

Para Flávio Henrique Costa Pereira, sócio coordenador do departamento de Direito Eleitoral e Político do BNZ Advogados, a maior presença da mulher no universo da política é uma realidade na sociedade brasileira. Ele acredita que tanto o Poder Legislativo como o Judiciário têm desenvolvido importantes avanços na representatividade. Mas esse crescimento é lento, fruto de um enraizamento do pensamento social da exclusividade do papel familiar da mulher. 

“É preciso seguir pelo caminho que já iniciamos, para que a mulher ocupe o espaço que lhe é de direito. Acredito que assistiremos, nos próximos anos, um crescimento em progressão geométrica da participação feminina, fruto do engajamento cada vez maior das próprias mulheres e, principalmente, pela conscientização dos cidadãos brasileiros, que é percebida pela repercussão que os temas ligados às mulheres tem obtido na imprensa e nas redes sociais. É com educação e consciência que o Brasil vencerá essa triste realidade”, avalia.

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