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E se aproveitássemos a crise de hoje para perder menos na próxima?/Pixabay
E se aproveitássemos a crise de hoje para perder menos na próxima?/Pixabay

8 lições da Covid para a crise climática

Eis alguns ensinamentos que a crise de hoje nos dá para enfrentar a de amanhã (que, na verdade, já é também uma crise de hoje!)
por Tatiana Cymbalista*
publicado em21/01/2021

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A agenda da crise climática precisa entrar na pauta da infraestrutura, e é já!
Não há nada mais difícil do que pensar no longo prazo quando estamos no auge de uma crise, que nos chama para o hoje. Mas também não há nada mais necessário. Já sabemos o quanto estamos perdendo com a crise da pandemia da Covid-19.

No entanto, e se aproveitássemos a crise de hoje para perder menos na próxima? Uma das propostas para a retomada pós-pandemia é exatamente o investimento em infraestrutura. E é imperativo que esse investimento integre resiliência e sustentabilidade na modelagem desses empreendimentos.

Eis algumas lições que a crise de hoje nos dá para enfrentar a crise de amanhã (que, na verdade, já é também uma crise de hoje!).

  1. Não ignorar o que diz a ciência:  Apesar de todas as evidências científicas, a pandemia foi reiteradamente negada ou teve seus riscos subestimados. Aquelas nações que, diante da incerteza, deixaram de recorrer ao conhecimento pagaram um preço alto em termos de saúde e economia.

Ao contrário, confiar na produção científica e na capacidade humana de produzir conhecimento e soluções viáveis para a crise foi o caminho mais eficiente para sair da crise mais rapidamente ou reduzir seus efeitos. A ciência nos diz, de maneira praticamente unânime, que a única forma de agir para evitar catástrofes climáticas frequentes e dramáticas é agir já. Quanto mais adiarmos a descarbonização, mais radicais serão as medidas a serem tomadas (ou piores serão os efeitos da omissão).

  1. Ação em conjunto. Assim como no caso da pandemia, ações isoladas não adiantam praticamente nada para evitar eventos climáticos extremos: o que o meu vizinho faz tem impacto direto na minha vida e no meu futuro, e o nosso destino é comum.
  2. Rapidez e antecedência. Os efeitos de não fazer nada agravam profundamente os efeitos do evento, seja ele a pandemia ou a crise climática. O preço que pagamos pela demora ou pela inação é muito alto. Cada vez mais as restrições terão que ser maiores para “flatten the curve” do clima.
  3. Preparação é a alma do negócio. Países que não foram imediatamente tomados pela pandemia tiveram mais tempo para antever efeitos e se preparar. Aqueles que não aproveitaram essa oportunidade pagaram muito caro. O mesmo se aplica para a crise climática: a preparação começa ontem, tanto para mitigação quanto para reparação.
  4. Aproveitar a visibilidade. No caso da Covid-19, os efeitos da ação de todos, não só do governo, mas também sociedade civil, mercado, indivíduos, coletividades, são percebidos poucas semanas depois. Esse caráter pedagógico pode e deve ser aproveitado para evidenciar que há medidas para serem tomadas para crises com efeitos menos imediatamente perceptíveis, mas igualmente graves. O mundo não aguenta uma nova crise econômica e social do tamanho desta.
  5. Empatia é a saída! Aqueles governos que deixaram de se voltar para os efeitos imediatos da pandemia sobre a população não somente de saúde, mas também e, sobretudo, econômicos pagaram um preço alto pela indiferença e falta de empatia. Ao contrário, os governos que procuraram oferecer maior inclusão e preservação das condições de vida de sua população foram fortalecidos. Ou ao menos não sofreram desgaste adicional durante a pandemia.
  6. Não há contradição entre saúde e economia, nem entre desenvolvimento e sustentabilidade. A narrativa de aparente contradição é equivocada, assim como a narrativa que procura opor preocupações de longo prazo às de curto prazo, ou crescimento à redução do carbono na economia.
  7. Universalidade do problema, mas distribuição desigual dos resultados. Tanto para a Covid-19 quanto para a crise climática, se o problema é universal, seus efeitos não são distribuídos democraticamente. A doença e os óbitos atingem sempre os que têm menos condição de se proteger, assim como no caso de mudanças climáticas. Países em desenvolvimento já sofrem mais intensamente a crise climática, com deslocamentos populacionais intensos por escassez de água ou comida e eventos climáticos extremos.

E o que infraestrutura tem a ver com tudo isso? Tudo! Ignorar a crise climática nos investimentos de infraestrutura, que terão que ser feitos nos próximos anos, apenas trará ineficiência de longo prazo para o investimento de recursos públicos já bastante escassos.

Precisamos agir já, e agir sabiamente, para que não percamos a oportunidade de criar ativos resilientes, duradouros e que tenham impacto efetivo na vida da população. É o que nos ensina a crise da Covid-19, ao prenunciar a crise de amanhã.

*Tatiana Cymbalista é advogada especialista em direito administrativo e regulatório do Manesco, Ramires, Perez, Azevedo Marques Advocacia.


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