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Um dos motivos das empresas estarem numa relativa euforia é a recuperação do Indice Bovespa nas últimas semanas/Fotos Públicas
Um dos motivos das empresas estarem numa relativa euforia é a recuperação do Indice Bovespa nas últimas semanas/Fotos Públicas

A expectativa do mercado brasileiro com a volta dos IPOs

Analistas esperam grande número de operações de abertura de capital até outubro.
por Luciano Teixeira
publicado em10/08/2020
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IPO

No setor de mercado de capitais dos escritórios de advocacia do país o segundo semestre de 2020 é de muito trabalho. É que com a paralisação das atividades desde março o número de IPOs ficou acumulado. Por causa disso, estão sendo esperadas mais de 40 operações entre o segundo semestre e início de 2021.

Para quem não sabe, a sigla IPO em inglês significa Initial Public Offering, ou oferta pública inicial. Essa oferta indica um processo no mercado financeiro em que uma empresa passa a ser de capital aberto com ações negociadas na bolsa de valores, com o lançamento dos papéis de uma companhia no mercado brasileiro ou internacional.

Um dos motivos das empresas estarem numa relativa euforia, mesmo em tempos de Covid-19, é a recuperação do Índice Bovespa nas últimas semanas, que está um pouco acima da casa dos 100 mil pontos. Desde 23 de março, quando registrou seu pior resultado no ano (63.570 pontos), o Ibovespa subiu 61%. De lá para cá, já são quatro meses consecutivos de alta. A volta a esse patamar sinaliza que as empresas estão retomando suas ofertas, mesmo que de forma seletiva, segundo analistas de mercado.

Um crescimento que já vinha desde o ano passado, impulsionado pelo expressivo aumento de investidores (especialmente pessoas físicas que não participavam desse mercado até então) e os projetos de privatizações do Governo federal, principalmente no setor de infraestrutura.

Em 2019 foram cinco IPOs concluídos. Só em janeiro e fevereiro de 2020 quatro processos foram realizados (incorporadoras Mitre Realty e Moura Dubeux, a empresa de hospedagem de sites Locaweb, e a Priner, de manutenção industrial).

No mês de julho, quando começou a retomada deste tipo de operação, foram dois IPOs: da Ambipar e da Aura Minerals, que captaram quase R$ 2 bilhões. Ainda há outros 18 pedidos em aberto, que foram protocolados até março.

Até o momento, 16 companhias decidiram estender seus processos de IPO: 13 foram postergados para 2021. “A incerteza do mercado quanto às condições futuras da economia, principalmente as relativas ao consumo dos seus produtos/serviços seria um dos motivos para essa diminuição na concretização dos IPOs”, afirma Sérgio Ricardo Fogolin, sócio de corporate & finance do Siqueira Castro.

O advogado explica que, nessa linha, empresas de diversos setores da economia voltaram a movimentar seus processos de abertura. “Um dos destaques é a incorporadora You Inc e a Riva 9 (da Direcional Engenharia), a Pet Center (rede de produtos para animais de estimação Petz), a Quero-Quero, varejista de material de construção com atuação na região Sul do Brasil, o grupo de moda Soma e Empreendimentos e Iguá Saneamento”. Essas empresas poderão realizar seus IPOs ainda em 2020.

As empresas enxergam na oferta inicial pública de ações um caminho para capitalização em condições financeiras favoráveis. “Com a diminuição da taxa de juros Selic para o menor nível da história, o mercado de ações é uma opção para a busca de melhores rentabilidades em face dos investimentos em renda fixa, por exemplo", analisa Fogolin.

Thiago Giantomassi, sócio de M&A do Demarest Advogados, também reforça a redução da taxa de juros como um fator de incentivo. “Há uma busca dos investidores por yield [rendimento, lucro] e o mercado acionário tem sido um dos destinos preferidos nesse momento. Do ponto de vista das empresas, os múltiplos de valuation têm se mostrado atraentes e o acesso a recursos de equity é uma forma interessante de diversificação de funding”, explica.

De acordo com o sócio de Mercado de Capitais do escritório Mattos Filho, Jean Arakawa, as companhias que já tinham IPOs programados antes do início da pandemia devem ser as primeiras a retomar os projetos e não só elas. "Aquelas companhias que já estavam olhando para o segundo semestre para uma captação, continuam com os planos". Ainda há um grupo das empresas que deve recorrer ao mercado para fortalecer o caixa. Nesse mesmo ritmo, os follow-ons também estão previstos para estimular o apetite dos investidores.

Jean Arakawa explica que existem três grupos de investidores nesse momento: aqueles que não querem investir por uma questão de fluxo líquido baixo, os que veem no país uma oportunidade, mas ficam relutantes por conta da pandemia e aqueles que veem uma oportunidade específica para investir no Brasil. "Não descartaria a demanda internacional pelos IPOs, por conta dos investidores que olham para as oportunidades futuras no país".

Algumas empresas podem optar por entrar na Bolsa por meio das ofertas públicas distribuídas com esforços restritos. Esse tipo de IPO é validado pela Instrução 476, da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), permitindo que a oferta seja feita para até 75 investidores, dos quais 50 podem investir.

Além disso, os investidores devem ter patrimônio investido de pelo menos R$ 10 milhões. As ações de esforços restritos não podem ser vendidas no mercado secundário por um período de 18 meses.

Mas no meio dessa euforia do mercado quais setores estão mais propensos à realização deste tipo de operação?

Alexei Bonamin, sócio e head da área de mercado de capitais do TozziniFreire Advogados, acredita que as operações devem acontecer não só com as áreas que cresceram durante a pandemia.

“Muito provavelmente veremos o maior número de IPOs em mais de um década. Setores como construção, varejo, tecnologia, agronegócio, financeiro, saúde e infraestrutura são a bola da vez”, afirma.

Marcos Roberto de Moraes Manoel, do Nelson Wilians e Advogados Associados, aposta nas áreas de saúde, tecnologia, educação à distância e infraestrutura. “A rigor não há limitações, haja vista que as empresas em geral necessitam de acesso ao capital de forma competitiva para sobreviverem e seguirem no mercado”, diz o especialista em direito empresarial.

Para Leandro Chiarottino, especialista em direito societário e sócio fundador do Chiarottino e Nicoletti Advogados, a grande expectativa nos próximos meses são as ofertas públicas iniciais de empresas dos setores do agronegócio e de inovação tecnológica.

“Em momento posterior, companhias envolvidas com a exploração da biodiversidade brasileira deverão ganhar atenção, especialmente aquelas que se dedicarem à exploração de atividades econômicas sustentáveis na Amazônia Legal”.

Eduardo Abrantes, sócio em mercado de capitais do Cescon Barrieu, acredita que as empresas que já conseguiram entender quais serão os impactos que a pandemia em seus negócios saem na frente.  “As empresas que no pior momento da crise tomaram medidas para preservar seu caixa e assegurar a continuidade de seus negócios agora já se veem aptas a novamente pensar em investimentos e expansão de suas atividades. 

Daniel Laudísio, também do setor mercado de capitais do Cescon Barrieu, analisa o perfil dos próximos IPOs no país. “A fila de IPOs protocolados na CVM mostra, de certa forma, uma concentração no setor incorporação imobiliária e, em um grau um pouco menor, farmácias. No entanto, setores que – de certa forma tiveram grande destaque durante a quarentena, como tecnologia/e-commerce e saúde, devem começar a surgir. Além disso, com a retomada da economia empresas de varejo estão voltando buscar o mercado de equity. Por fim, o setor de infraestrutura tende a reaparecer na lista de ofertas de equity, especialmente a área de saneamento em razão do novo marco regulatório”, afirma. 

Para os especialistas, as empresas candidatas a este movimento de mercado são as que tinham a abertura de capital em vista e desenvolveram um plano de negócios.  “São as companhias que implementaram governança corporativa, estão em compliance com as leis em geral e com as suas demonstrações financeiras em ordem e auditadas, obrigações tributárias sob controle, finanças organizadas e, sobretudo, vêm desenvolvendo a cultura de uma companhia de capital aberto em sua alta gestão”, analisa Marcos Roberto de Moraes Manoel.

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