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En busca del talento perdido
En busca del talento perdido

A procura do talento perdido

por Rosa Ramos
publicado em28/03/2016
2comentarios
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Firmas legais do México, América Central e Colômbia lutam por encontrar advogados qualificados e comprometidos. Entre as causas se combinam razões próprias das novas gerações com certa falta de atualização das universidades.

Daniel Del Río, socio de Basham, Ringe y Correa
  Daniel Del Río, sócio de Basham,
                Ringe & Correa

Há consenso. Um dos problemas mais importantes entre as firmas está intimamente relacionado com os déficits de preparação dos jovens profissionais. Noutras palavras, cada vez lhes resulta mais difícil encontrar “bons candidatos”, como se acostumava dizer.

Desde o México, Daniel Del Rio, sócio encarregado das áreas corporativa e de fusões e aquisições de Basham, Ringe & Correa, o afirma sem eufemismos. “Não é fácil encontrar o melhor talento. Para a nossa firma é muito importante contar com ele, devido a que os advogados são a pedra angular para prestar um serviço de qualidade. Encontramos gente muito preparada, mas depois de um tempo nos damos conta de que não têm o mesmo compromisso."

Mas se trata de um fenômeno que excede as fronteiras. Por exemplo, a Colômbia conta com uma base robusta de alunos recém-formados ou em processo de formatura. Contudo, explica Jaime Herrera Ruiz, sócio fundador de Posse Herrera Ruiz, “existe uma limitação importante enquanto aos candidatos que têm potencial. Perfis para ocupar papéis em certas áreas especializadas como podem ser fusões e aquisições, litígios e impostos são difíceis de conseguir. Expertos em temas de concorrência ou mercado de capitais são também muito escassos”.

Jaime Herrera Ruiz, socio de Posse Herrera Ruiz
Jaime Herrera Ruiz, sócio de Posse
                   Herrera Ruiz

Incluso, tampouco abundam as concorrências soft que parecem representar uma demanda em alça entre os perfis procurados. Assim o entende José Evenor Taboada, presidente de Consortium Legal, desde Nicarágua. “Em geral, a principal problemática é encontrar jovens solidamente formados, com domínio do inglês e de habilidades próprias para o desempenho profissional. Muitos jovens têm atitudes de curto prazo e, com frequência, de costas à realidade de um mundo cada vez mais competitivo”, analisa.

Nesse sentido, o experto também observa um choque geracional respeito da atitude para com o trabalho prolongado e as fontes de informação e de comunicação mais usadas. “Pode afetar o gerenciamento e qualidade do serviço, ao impedir satisfazer as maiores exigências dos clientes respeito à disponibilidade de seu advogado e a velocidade nos tempos de resposta ou de prestação do serviço”, reflete. Ao respeito, agrega que se necessita fomentar “uma cultura, visão e missão compartilhadas, que permitam que, independentemente do estilo de cada geração, se dê al cliente um serviço oportuno, de elevada qualidade e de valor para sua necessidade”.

Desde a perspectiva de David Gutiérrez, sócio de BLP na Costa Rica, não obstante, se requer um certo câmbio no olhar. “Trata-se de culturas diferentes. Mas as firmas têm que adaptar-se ao talento das gerações X ou E, e não pretender que seja ao revés. Se o fazem, se garantem advogados motivados e que realizem o trabalho em todo seu potencial”.

O ovo e não a galinha

José Evenor Taboada, presidente de Consortium Legal Nicaragua
José Evenor Taboada, presidente do
              Consortium Legal

Porém ademais das questões culturais e de motivação associadas com as novas gerações, as dificuldades das instituições educativas em compreender e enfrentar a enorme transformação dos últimos anos parecem ser as razões centrais desta procura do talento perdido. De fato, mais de um experto considera que a falta de atualização da academia faz com que os profissionais saiam ao mercado com uma capacitação similar a de 10 ou 20 anos atrás, enfocada no conhecimento da lei, mas não em temas de gerenciamento, serviço ao cliente e inovação.

José Evenor Taboada volta a dizer sem indiretas: “Parte muito importante deste déficit é a proliferação de escolas de direito que carecem do professorado e a metodologia apropriados para os novos tempos. Muitos desses centros seguem aferrados aos métodos do passado, a ministrar as matérias tradicionais sem capacitar o estudante nos soft skills, ou no uso exclusivo ou preponderante de professores sem exposição aos países de maior desenvolvimento e às realidades muito competitivas que se estão impondo nessas nações”.

¿Mas o quê fazer? é a pergunta do milhão. “O mais usual é identificar as escolas de direito cujo ensino é do nível apropriado e sua capacitação dos estudantes vai além da mera formação profissional, analisar as notas dos candidatos e prová-los em estágios de seis meses a um ano. Ademais, requeremos de cada colaborador sua capacitação e educação legal contínua, ora a que internamente oferecemos ou a participação em webinars e cursos externos”, assinala o especialista.

David Gutiérrez, socio de BLP Costa Rica
     David Gutiérrez, sócio de BLP

Para enfrentar este mesmo desafio, por exemplo, Basham, Ringe & Correa conta com um programa para estudantes de direito. “Desde que estão na universidade, os convidamos a realizar práticas em diversas matérias como estagiários. Desta forma, os estudantes têm a oportunidade de ir conhecendo diferentes matérias e nós podemos conhecê-los e infundir-lhes os valores de nossa firma”, sublinha Daniel Del Rio.

Desde outra perspectiva, David Gutiérrez destaca nas firmas legais valores como a abertura e a diversidade para captar o talento: “Os profissionais talentosos querem trabalhar numa firma que os valore e os respeite, e num ambiente que lhes permita render da melhor forma, com tranquilidade. Para isso, é importante contar com bons clientes, participar nas melhores e mais desafiantes transações legais, oferecer uma compensação razoável e possibilidades de crescimento pessoal e profissional e, antes de tudo, com equilíbrio e qualidade de vida”.

Jaime Herrera Ruiz coincide. “As novas gerações falam de equilíbrio entre a vida e o trabalho, flextime, benefícios não econômicos e ambientes trabalhistas saudáveis. Para ser bem-sucedidos no recrutamento de pessoal, as firmas de serviços legais devem contar com planos integrais de compensação que não só abarquem temas econômicos, senão que também considerem esquemas de compensação emocional”, salienta.

Um exemplo adicional das oportunidades de melhora é dado pelo posicionamento das escolas de direito de nossa região no contexto internacional. Por exemplo, no QS World University Ranking, elaborado com base em opiniões de acadêmicos e cujo prestígio é tal que é usado pelo sistema de imigração da Dinamarca na hora de conseguir um documento de residência, as únicas escolas de direito latino-americanas entre as 50 primeiras do mundo são a Pontifícia Universidade Católica de Chile, especificamente no 37º lugar, com 74,4 pontos, e a Universidade Nacional Autônoma do México, no 38º lugar, com 74,3.

Logo, entre as 100 melhores só figuram a Universidade de Buenos Aires, Argentina; a Universidade do Chile e a Universidade de São Paulo, Brasil. E entre as 150, a Pontifícia Universidade Católica de Valparaíso, Chile; a Universidade dos Andes, Colômbia; e a Universidade Diego Portais, Chile. Todas, em definitiva, muito longe do top 10: Harvard, Cambridge, Oxford, Yale, New York University, Stanford, London School, The University of Melbourne, Califórnia-Berkeley e Columbia.

O dado encorajador, contudo, passa pela estratégia de algumas firmas legais de nossa região em pós de relacionar-se com as correspondentes academias de direito, para compartilhar suas necessidades ou incluso colaborar na atualização dos currículos. Talvez represente, incluso, o primeiro passo de um árduo, porém necessário caminho à melhora das concorrências dos novos advogados.

Comentarios

Leopoldo Herná… (not verified) Fri, 01/04/2016 - 01:24

Creo que el manejo del tema es muy superficial, son asuntos muy relevantes, para ser tratados con un manejo trillado.
El artículo no revisa la disponibilidad de talento, la competencia de las empresas, los procesos de consolidación en las firmas de abogados, la falta de modelos de negocios viables que permitan un crecimiento y desarrollo de talento por ende el acceso a la sociedad, la falta de planes de carrera serios, claros y que operen, entre otros.

OM (not verified) Sat, 28/05/2016 - 18:21

Totalmente de acuerdo con Leopoldo.

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