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Con sabor ibérico

Com sabor ibérico

por Angela Castillo
publicado em12/12/2019
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A chegada de firmas espanholas a diferentes países da América Latina nos últimos anos tem coincidido com duas circunstâncias. A primeira, um período de bonança econômica regional, e a segunda, a crescente internacionalização das empresas espanholas. Contudo, cada gabinete tem adotado um esquema diferente para aproveitar as oportunidades que oferece o subcontinente. Eduardo Rodríguez-Rovira, líder da prática latino-americana de Uría Menéndez, e Iván Delgado, sócio responsável do Latin-American desk de Pérez-Llorca, explicam a estratégia detrás de cada movimento.

Casar-se com um local

O leque de opções para ter presença num novo mercado é amplo: desde a abertura de escritórios com "sobrenome" próprio até alianças de diferentes tipos com firmas locais. Nesta segunda categoria se inscreve a estratégia seguida por Uría Menéndez, que adquiriu uma participação do 30% na fusão da colombiana Prietocarrizosa com Philippi, Yrarrázaval, Pulido & Brunner, no Chile. A nova firma, Philippi, Prietocarrizosa & Uría, já cumpriu o primeiro ano de vida e, como parte do acordo, Prietocarrizosa e Philippi terão uma participação minoritária na firma espanhola.

Eduardo Rodríguez Rovira
Eduardo Rodríguez Rovira

"Pensamos que adquirir uma participação numa aliança regional formada por dois líderes dos mercados colombiano e chileno nos brindava uma plataforma muito sólida para competir na região”, indica Rodríguez-Rovira. “O convite veio de parte deles e nos seduziu porque a estratégia tem muito sentido para nossos clientes internacionais”, adiciona.

“Estamos trabalhando em consolidar a nova firma e explorando oportunidades para estabelecer alianças locais com firmas do Peru e México, embora não descartamos outros mercados”, indica Rodríguez-Rovira. "Ambos os países são totalmente diferentes: enquanto o Chile é um mercado maduro, a Colômbia tem logrado grandes avanços nas negociações de paz com as FARC. Mas ambos oferecem regras de jogo claras para os investidores, num ambiente de segurança jurídica, fator chave para o assentamento de empresas estrangeiros".

"Na Colômbia a maior parte do trabalho tem que ver com o desenvolvimento de infraestrutura pública, incluindo o ambicioso programa de concessões viárias 4G, bem como licitações portuárias e de trens e interessantes desenvolvimentos no setor dos serviços públicos. No Chile, por outro lado, as operações têm que ver com a venda de projetos de infraestrutura por parte das construtoras a fundos de investimento especializados, em busca de benefícios ao longo prazo", assinala Rodríguez-Rovira.

Contudo, como em toda fusão, sortear os retos "culturais" é uma tarefa do dia a dia, pois envolve alinhar as culturas corporativas de duas firmas de uma longa trajetória, com aproximadamente 250 advogados repartidos em dois escritórios na Colômbia e um no Chile.

Estudando o terreno

Iván Delgado
Iván Delgado

Ao outro lado da equação, Delgado comenta - desde o recém-inaugurado escritório da firma em Nova Iorque -, porque eleger um "ponto médio", na forma de um Latin American desk na cidade americana, encaixava melhor com os interesses de Pérez-Llorca. "Nossa presença nesta cidade nos permite várias coisas: primeiro, estamos mais perto da América Latina, tanto em distância como em horário. Segundo, estamos mais perto de nossos clientes espanhóis com investimentos nos EE. UU."

Ponto chave aqui é a natureza da assessoria dada aos clientes. "À raiz da crise na Espanha, tem crescido o interesse dos clientes latino-americanos, principalmente mexicanos, em investir na Espanha. Nossa estratégia, então, não passa por fazer direito local, senão direito espanhol acompanhando nossos clientes para Latino-América e desde Latino-América para a Espanha", explica.

Sobre planos a futuro, indica que "pelo momento não pensamos abrir escritórios nos países da região pois preferimos ir pouco a pouco", conclui.

Loja própria

Uma terceira via consiste em abrir escritórios próprios, atendidos pelos advogados locais recrutados de outras práticas. Isso é precisamente o que Garrigues fez em maio de 2013. Ao anunciar sua saída de Affinitas - a rede que a própria firma criara em 2004 e que continua operativa com firmas da Argentina, Colômbia, México, Peru e Chile -, Garrigues abriu escritórios em três países da região.

Ao escritório de São Paulo (que opera como firma legal estrangeira) e que foi inaugurado em 2011, seguiram o de Bogotá, em 2013 (com a incorporação da boutique especializada em direito fiscal Zarama & Asociados e, mais recentemente, com a absorção de DLP Legal), logo Lima (e a inclusão de quatro sócios de Estudio Rubio) e México D.F., em 2014.

Finalmente, tanto Cuatrecasas Gonçalves Pereira como Uría Menéndez levam mais de uma década com seus respectivos escritórios legais estrangeiros em São Paulo. A primeira abriu em 2001, enquanto que a segunda o fez em 1997.

Outras firmas menores têm dado similares passos recentemente. Exemplo disso é Ontier, que através de fusões com firmas locais, tem se estabelecido no Brasil, Colômbia, Paraguai, Peru, Venezuela e, mais recentemente, no Chile.

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