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Empresas da região têm a maior parte do seu faturamento de vendas para o mercado internacional, por conta da estrutura logística /Unsplash
Empresas da região têm a maior parte do seu faturamento de vendas para o mercado internacional, por conta da estrutura logística /Unsplash

Mercado do Sul: polos de inovação e alta especialização

O Sul é terreno fértil para o mercado jurídico de M&A e área societária, especialmente nos segmentos industrial e de serviços.
por Juliana Martinelli*
publicado em31/08/2020

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Quando o fundador do Martinelli Advogados, João Joaquim Martinelli, começou as atividades do escritório em 1997, em Santa Catarina, sabia que aquele era o início de um grande desafio, em especial pela região onde se instalava. A convivência com o excelente empresariado da região mostrou acertada a escolha e seguimos investindo alocando sedes e sócios no Rio Grande do Sul e Paraná, nas capitais e no interior dos três estados, cobrindo toda a região Sul.

A economia do Sul é um cenário peculiar em comparação com as demais do Brasil, pelo alto nível de exigência e pela especialização dos seus profissionais. Em pouco mais de 20 anos, o processo se intensificou, com uma economia líder e muito forte, e advogados e escritórios acompanhando o nível dos seus clientes.

Vivemos hoje os efeitos da pandemia da Covid-19, refletidos na economia de todo o país. Para o mercado jurídico tem sido um período de reinvenção. Por um lado, precisamos recrutar muita flexibilidade para nos adaptar ao trabalho remoto mantendo a agilidade e excelência no atendimento, por outro buscar novas formas de manter a tão necessária proximidade ao cliente, com a ajuda de ferramentas virtuais.

Em paralelo aos cuidados com o bem-estar físico e emocional das pessoas, exercitar muita criatividade para buscar soluções que permitam a sobrevivência e a saúde das empresas dentro do devido ordenamento legal, sem perder de vista as oportunidades que surgiram, especialmente na área de tecnologia.

Enquanto as empresas adaptam seus modelos de negócio ao “novo normal”, há um sentimento geral de expectativa em torno do pós-pandemia, que será um período de intensa busca por soluções de crescimento estruturado e sustentável.

Um dos principais desafios da área do direito no Brasil é o nosso próprio ambiente legal, que muda muito, com muita rapidez. A falta de segurança jurídica atravanca novos investimentos, especialmente estrangeiros, e exige do advogado uma atualização constante.

Felizmente, há um sentimento de otimismo entre o empresariado sobre esse tema, devido a movimentos recentes no sentido de reformas liberais – como a trabalhista e a da previdência – e de estruturação da legislação para um ambiente de negócios mais positivo.

O mercado do Sul é composto por empresas sólidas e inovadoras, que lideram seus mercados e contam com ótimos índices de confiabilidade e governança corporativa exemplar. Muitas delas têm a maior parte do seu faturamento proveniente de vendas para o mercado internacional, por conta da privilegiada estrutura logística da região.

Por isso, o Sul é terreno fértil para o mercado de M&A, especialmente nos segmentos industrial e de serviços. A indústria é a grande empregadora e permite o processo de interiorização da economia, com polos relevantes fora das capitais. Para os escritórios, isso significa um grande campo de trabalho para profissionais da área societária, relações internacionais e comércio exterior, pela nossa liderança na atividade industrial e nos índices de exportação.

Por tudo isso, a relação entre advogado e cliente nos estados da região Sul é baseada na confiança. Os empresários e executivos da região valorizam a proximidade e a identificação regional com o mesmo peso da qualificação técnica. Grande parte das empresas conta também com áreas jurídicas internas extremamente especializadas, que demandam soluções customizadas e inteligentes, o que exige dos escritórios muito estudo de cenário e um fortalecimento dos laços de atendimento, especialmente por parte dos sócios.

Como resultado desse modelo de relacionamento, grandes bancas full service dividem espaço com escritórios de apelo regional. O nível de especialização acompanha a distribuição dos polos regionais – automotivo na região de Caxias do Sul e metropolitana de Curitiba, têxtil no Vale do Itajaí, metalmecânico em Joinville, indústria da celulose no Meio-Oeste etc.

Além do segmento industrial, merece destaque o crescimento da especialização no segmento de agronegócio. Um ponto comum aos três estados é o seu cinturão agrícola na região oeste, com um mix de agricultura familiar sustentável e polo exportador de commodities e proteína animal.

A região funciona como um dos grandes motores da economia, com altíssimo nível de organização e tecnologia, especialmente por meio do trabalho das cooperativas. Advogados e escritórios têm buscado se qualificar para acompanhar os movimentos desse mercado, oferecendo soluções customizadas com especial atenção para as áreas tributária e de compliance.

Uma característica do nosso mercado é ser composto por um grupo de profissionais muito qualificado, resultado do processo de aperfeiçoamento das faculdades de direito da nossa região. Aliada ao conhecimento acadêmico, está a preocupação muito presente nos advogados da região, com destaque para a advocacia empresarial, de buscar conhecer profundamente seu cliente, estudar seu ramo de atuação e o funcionamento de seu negócio, a ponto de se tornar seu conselheiro, atuando preventivamente, encontrando oportunidades e aplicando seu conhecimento jurídico para atuar como um verdadeiro business partner. 

Nosso mercado jurídico também é referência nacional em inovação e digitalização da atividade. Nossa região conta com grandes polos digitais, como o Parque Tecnológico de Porto Alegre, o “Vale do Pinhão” na região metropolitana de Curitiba, e o eixo entre Florianópolis – com o projeto Capital da Inovação – e Joinville – com o projeto Join.Valle, do qual o Martinelli Advogados é parceiro.

Muitas dessas startups se dedicam a criar soluções que ajudam a simplificar a atividade da advocacia por meio de inteligência artificial e legal design, tornando a região essencial para o ecossistema brasileiro de lawtechs e legaltechs.

Para concluir, em nome dos advogados e escritórios do sul do Brasil, cumprimento Lex Latin e seus profissionais por esse primeiro ano de atividade no Brasil. Num cenário como o nosso, é de grande importância que publicações como o LexLatin produzam conteúdo qualificado sobre o mercado e busquem, por meio do trabalho dos seus pesquisadores, traçar um retrato preciso e atualizado dos movimentos do mercado.

Faço votos que esse tenha sido o primeiro de muitos anos do LexLatin no Brasil e que o diretório e seus profissionais sigam contribuindo para o enriquecimento do debate sobre o nosso mercado e a nossa profissão.

*Juliana Martinelli é CEO do Martinelli Advogados.

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