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Os eleitos nas duas principais cidades do país: Bruno Covas (esq.) em São Paulo e Eduardo Paes (dir.) no Rio de Janeiro/Fotos Públicas
Os eleitos nas duas principais cidades do país: Bruno Covas (esq.) em São Paulo e Eduardo Paes (dir.) no Rio de Janeiro/Fotos Públicas

Segundo turno ratifica PSDB e DEM nas duas principais capitais do país

Brasil teve eleição em 57 cidades neste domingo. Partidos tradicionais ganham ainda mais espaço.
por Luciano Teixeira
publicado em29/11/2020

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Eram pouco mais de 7 horas da noite quando os resultados das eleições nas 57 cidades que tiveram votação neste domingo já tinha sido praticamente definido. A apuração desta vez transcorreu normalmente e em duas horas mais de 90% dos votos já estavam apurados.

Terminado o 2º turno, o que dizer das eleições deste ano, a primeira em ambiente de pandemia?

O principal resultado, o mais significativo, é a disputa nas duas principais cidades do país. Com a eleição de Bruno Covas em São Paulo (PSDB) o partido elegeu prefeitos em 521 cidades.  A notícia ruim é que a legenda foi uma dos que mais perdeu prefeitos eleitos no país na comparação com 2016: 278 a menos.

Mas a vitória na capital paulista, com 12 milhões de habitantes, é um feito importante e que deixa o partido numa boa posição para as próximas eleições em 2022.

“Em São Paulo tivemos a civilidade de Covas e Boulos. Ambos se respeitaram, tiveram um debate num segundo turno aberto com discussão sobre ideias. Isso é um marco simbólico de que é possível fazer política com civilidade, sem fake news, sem ataques e agressões. No município, o eleitor decidiu pela experiência política e diálogo”, avalia o cientista político da Universidade Presbiteriama Mackenzie, Rodrigo Prando.

No Rio de Janeiro, a eleição de Eduardo Paes (DEM), que já foi prefeito da capital fluminense duas vezes, já era esperada por conta da grande rejeição do atual prefeito, Marcelo Crivela (Republicanos), que não conseguiu se reeleger. Agora Paes, que governou de 2009 a 2016, vai para um terceiro mandato e consolida o bom momento do partido do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. O DEM passou de 268 prefeituras em 2016 para 465 em 2020.

“Por outro lado, não houve predomínio de candidaturas ou vitórias mais extremistas à direita. A prova disso é a vitória em várias prefeituras, como no Rio de Janeiro, pelo DEM, que tem várias capitais, assim como o MDB também”, explica Paulo Silvino Ribeiro, docente e pesquisador da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, a FESP/SP

“O grande recado das urnas é: candidatos que tenham as bênçãos do Bolsonaro ou que tenham uma visão de negação da política não têm mais espaço”, diz o professor.

De acordo com os cientistas políticos e advogados especialistas em direito eleitoral, o voto no segundo turno trouxe outros dois recados.

O primeiro deles é que a rejeição ao PT continua. Desta vez, o partido dos trabalhadores não conseguiu eleger prefeito em nenhuma capital do país, apesar de estar bem cotado dias antes em Vitória e Recife. Mas, de última hora, os candidatos Delegado Pazolini (Republicanos) em Vitória e João Campos (PSB) em Recife viraram.

Mesmo assim, na avaliação de cientistas políticos, a esquerda sai fortalecida. Isso porque haveria uma indicação de que outros partidos estão ocupando o lugar do PT na preferência do eleitor.

Para Amilton Augusto, advogado especializado em direito eleitoral e administrativo, mesmo sendo derrotados em São Paulo e Porto Alegre, Guilherme Boulos (PSOL) e Manuela Dávila (PC do B) se credenciam como fortes candidatos para outros cargos públicos.

Como no 1º turno, os discursos polarizadores tanto do bolsonarismo quanto do lulopetismo perdem espaço e a moderação, na avaliação de Rodrigo Prando. “A experiência e a valorização da política parecem ter voltado à tona na perspectiva do eleitor”, diz.

“O PT perdeu a hegemonia, o fato do partido ter apoiado Boulos em São Paulo e Manuela em Porto Alegre mostra que a esquerda começa a se distanciar do lulopetismo”, afirma o cientista político.

É bom lembrar que Boulos foi candidato à presidência em 2018 e Manuela Dávila foi vice na chapa de Fernando Haddad do PT na mesma eleição. Uma eventual união dos dois numa chapa é uma possibilidade para 2022.

Abstenção

Outro recado das urnas é o desinteresse do eleitor brasileiro. Dos poucos mais de 38 milhões de cidadãos aptos a votar no segundo turno, 38,44% ou não compareceram ou anularam o voto: 14.717.042 eleitores, o índice mais alto dos últimos 24 anos. Rio de Janeiro (46,40%), Goiás (44,15%) e São Paulo (41,02%) tiveram os maiores índices.

“No lado do eleitorado esse desinteresse pode ter relação com as tensões muito fortes que aconteceram nas eleições de 2018. Então muita gente se afastou, ao mesmo tempo sentimos uma distensão, o que é ótimo, com campanhas mais propositivas, mas que ainda estão longe do ideal. A pandemia também impactou pelo receio do eleitor se expor”, analisa Gustavo Justino de Oliveira, professor de direito administrativo da Faculdade de Direito da USP.

“Esses números da abstenção, se formos analisar o quanto os candidatos tiveram de votos, mudaria o resultado das eleições, para um lado ou para o outro. E tira o ponto de certeza das pesquisas eleitorais. Vemos que as pesquisas acertaram, mas o percentual acabou sendo um pouco diferente”, explica o advogado Amilton Augusto.

 

Estado

Cidade

Eleito

%

SP

São Paulo

Bruno Covas (PSDB)

59,38

RJ

Rio de Janeiro

Eduardo Paes (DEM)

64,07

MG

Belo Horizonte

Alexandre Kalil (PSD)*

63,36

ES

Vitória

Delegado Pazolini (REPU)

58,50

PR

Curitiba

Rafael Greca (DEM)*

59,74

SC

Florianópolis

Gean (DEM)*

53,46

RS

Porto Alegre

Sebastião Melo (MDB)

54,63

BA

Salvador

Bruno Reis (DEM)*

64,20

SE

Aracaju

Edvaldo (PDT)

57,86

AL

Maceió

JHC (PSB)

58,64

PE

Recife

João Campos (PSB)

56,27

PB

João Pessoa

Cícero Lucena (PP)

53,16

RN

Natal

Alvaro Dias (PSDB)*

56,58

CE

Fortaleza

José Sarto Nogueira (PDT)

51,69

PI

Teresina

Dr. Pessoa (MDB)

62,31

MA

São Luís

Eduardo Braide (PODE)

55,53

MT

Cuiabá

Emanuel Pinheiro (MDB)

51,15

MS

Campo Grande

Marquinhos Trad (PSD)*

52,58

GO

Goiânia

Maguito Vilela (MDB)

52,60

AM

Manaus

David Almeida (AVAN)

51,27

PA

Belém

Edmilson Rodrigues (PSOL)

51,76

RR

Boa Vista

Arthur Henrique (MDB)

85,36

RO

Porto Velho

Hildon Chaves (PSDB)

54,45

AC

Rio Branco

Tião Bocalon (PP)

62,93

TO

Palmas**

Cinthia Ribeiro (PSDB)

36,24

AP***

Macapá

eleições adiadas

-

 

*Eleitos no 1º turno

** Cidade com menos de 200 mil eleitores a eleição se define no 1º turno

***Eleições adiadas por conta da falta de energia

Una-se à discussão!

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